SAMPA
O Brasil de 2028
A segunda metade do século XX presenciou o surgimento de enormes grupos multinacionais, as chamadas Corporações. O enorme poder dessas empresas causou preocupação em muitas pessoas, que temiam que as Corporações tomassem o poder político e passassem a controlar a vida das pessoas. Em países desenvolvidos, ricos e com uma democracia sólida, esse temor resultou apenas em uma rica literatura de ficção. Porém esses escritores se restringiam apenas a seus países de origem, esquecendo que grande parte da população mundial vivia em países pobres, em uma falsa democracia, um alvo fácil para as Corporações. Nesses países a ficção se tornou realidade, uma realidade CyberPunk !
Enquanto em países mais ricos o poder das Corporações não conseguiu derrubar os direitos democráticos, os restantes, os chamados países em desenvolvimento se viram diante do poder econômico (e militar) das Corporações, contra o qual não podiam lutar.
BRASIL
Nos primeiros anos do séc.XXI, o Brasil presenciou o avanço do poder das Corporações da mesma maneira de em outros países subdesenvolvidos. Porém, ao contrário de outros países, a força da Burocracia Estatal (principalmente a militar) impôs forte resistência ao poder das Corporações, agindo ela mesma como se fosse uma Corporação.
Os militares foram os primeiros a compreender que se não criassem uma base econômica própria sucumbiriam frente ao poder das Corporações, levando-os a manter sob seu controle uma pequena, mas sólida indústria bélica. Entretanto, a principal fonte de poder do Ministério da Defesa é o Conglomerado Amazônico que detêm o monopólio da exploração econômica da região (basicamente recursos minerais e substância orgânicas raras) o que motivou o Conflito na Amazônia que veremos a seguir.
A Burocracia Civil se enfraqueceu muito com o desmantelamento da estrutura de bem estar social do governo (educação, saúde, aposentadoria, etc.), mais ainda sobrevive da corrupção e da venda de favorecimentos às Coorporações.
Isso não quer dizer que a Corporações sejam fracas. Muito pelo contrário, elas são muito fortes inclusive dentro do próprio governo, lutando para derrubar a Burocracia Estatal e ratificar seu poder como em outros países. A principal arma das Corporações é o controle da mídia que, por sua vez, manipula a opinião pública.
Organização Política
Segundo a Constituição vigente, de 2005, o Brasil continua sendo governado por um presidente eleito pelo voto direto, conjuntamente com deputados e senadores também eleitos. Os Estados são governados por governadores e deputados estaduais e os municípios por prefeitos e vereadores (com exceção do Rio de Janeiro, por motivos especiais). O crime organizado e os grandes grupos econômicos (Corporações e países estrangeiros) controlam a maior parte do governantes, e a democracia é só aparência.
Os militares também tem muita força, especialmente no Rio de Janeiro e na Amazônia, tendo inclusive poder de veto na indicação do Ministro da Defesa.
A lei e a ordem
As polícias particulares são legalmente aceitas, desde que sigam o código penal brasileiro e sejam autorizadas pela autoridade pública da região em que pretende operar (caso queira operar no Estado de São Paulo precisa de autorização do governador). A policia pública (estadual e federal) continua a existir, mas com efetivos reduzidos e muito menos equipada que as policias particulares. Essa medida se fez necessária devido ao grande aumento da criminalidade nos grandes centros, que começou a deixar os subúrbios e alcançar os bairros ricos e zonas corporativas.
A esperada queda nos índices de criminalidade, só se percebeu em certas áreas nas grandes cidades onde havia forte presença de polícias corporativas, que geralmente abusavam de sua autoridade e da violência. Apesar da polícia pública ter como dever o controle das policias particulares, nunca exerceu qualquer controle sobre elas (geralmente acontece o inverso!).
ESTILO DE VIDA EM 2028
Realidade Virtual
De todas as inovações do início do séc. XXI
a que trouxe maior impacto no modo de vida das pessoas foi a
realidade virtual, tanto no entretenimento como no setor
produtivo.
A realidade virtual é usada no desenvolvimento de projetos,
simulações de dados, e muitas outras aplicações na empresas.
Além disso, possibilitou o surgimento de lojas virtuais na
VirtuaNet (VI), que veio a substituir a Internet com o advento da
Realidade Virtual.
Porém, o uso da realidade virtual no entretenimento criou um
grupo cada vez maior de pessoas que se alienaram do "mundo
real" buscando refúgio em mundos fictícios criados pela
Realidade Virtual.
Drogas
O surgimento de drogas sintéticas disseminou ainda mais o uso de
drogas no séc.XXI, principalmente nos grandes centros urbanos.
Muitas dessas drogas tem efeitos destrutivos menos aparentes (no
curto prazo) e um poder de viciar muito maior.
No Brasil, o consumo e tráfico de drogas continua ilegal.
Trabalho
Como as Corporações não oferecem empregos suficientes para
todos, muitos são obrigados a buscar subempregos nos subúrbios,
que muitas vezes formam uma economia própria, com comércio e
pequenas indústrias clandestinas que são combatidas pelas
Corporações (por meios lícitos ou não). Nessa sociedade
paralela surgiu inclusive uma mídia clandestina em defesa
daqueles que estão a margem da sociedade, denunciando as
injustiças praticadas pela Corporações e pelo Governo.
Outra opção são os empregos públicos, principalmente nas
Força Armadas que necessitam de recursos humanos para suas
campanhas na Amazônia e no controle do Rio de Janeiro.
PRINCIPAIS CENÁRIOS EM 2028
Cidade do Rio de Janeiro
O Rio se defrontou com dois problemas nas últimas décadas: a
decadência econômica e a violência. Em 2028, a decadência
econômica não é mais um problema. A violência, porém, é
outra estória...
Em 2012 a criminalidade atingiu o auge, com os chefes do tráfico de drogas e de armas controlando bairros inteiros. Era uma guerra civil, reação à política de combate ao crime organizado do prefeito recém-eleito João Braga . Ele foi assassinado três meses depois de assumir, junto com os poucos vereadores que não eram financiados pelo crime organizado. As forças armadas brasileiras tiveram de intervir, instituindo um "estado de sítio". As Corporações foram chamadas a fornecer apoio a operação, mas pouco ajudaram, pois tinham outros planos.
Mesmo antes de 2012, já se percebia um movimento de emigração do Rio, com as pessoas buscando cidades mais seguras para viver. O preço das propriedades despencou, e com a intervenção de 2012 cai mais ainda, até que o movimento se inverteu quando uma dezena de Corporações começou a comprar tudo nas regiões mais nobres da cidade e a recuperar estes bairros, usando suas policias particulares para "pacificar" a região, fazendo o que o Exército não conseguia. Pelo menos isso é o que se via na TV.
Na realidade muitas Corporações tinham boas relações com os traficantes, já que eles eram os principais fornecedores de armas para os "povos da floresta" na Amazônia. Foi tudo um acordo, os traficantes respeitavam as zonas corporativas (e podiam controlar todo resto), enquanto as Corporações recuperavam a economia, e lucravam milhões. O Rio, que havia sumido dos guias turísticos, se tornou em poucos anos um dos grandes pontos turísticos mundiais.
A violência porém continua, mesmo nas zonas corporativas, pois os chefes do tráfico não tem total controle sobre o crime. Isso associado a conflitos entre as Corporações e o crime organizado (para manter as aparências) e o interesse do governo brasileiro de impedir o tráfico de armas para a Amazônia (oficialmente a principal preocupação é combater o tráfico de drogas) garantiu que intervenção continuasse até hoje, enquanto as Corporações e o crime organizado dividem o poder.
A Floresta Amazônica
Em 2011, na ONU, a Floresta Amazônica foi declarada patrimônio da humanidade e todos os países da região perdiam imediatamente a soberania sobre ela, que se tornaria um país independente governado e sustentado por recursos da própria ONU. A justificativa era de que os governos da região estavam destruindo a floresta e violando os direitos dos legítimos donos da região, os chamados "povos da floresta": índios, seringueiros e pequenos agricultores e pescadores que viviam em harmonia com a natureza. O ato da ONU foi resultado de uma forte cobertura da mídia internacional, que mobilizou a opinião pública (inclusive no Brasil) contra o governo destes países, denunciando a agressão aos povos da região e o desmatamento que levaria a um desequilíbrio do ecossistema do planeta.
A imprensa só estava defendendo os interesses de quem bancava sua programação: as Corporações, que tinham interesse antigo na região. O governo brasileiro, porém, siente das riquezas naturais da Amazônia e principalmente da diversidade da fauna e flora (inestimáveis para biotecnologia e engenharia genética), impunha um preço alto pela sua exploração, enriquecendo muitos políticos brasileiros. A saída das Corporações foi usar seu controle sobre os meios de informação para desmoralizar o governo brasileiro. Na realidade quase não haviam mais desmatamentos, afinal era mais lucrativo preservar a floresta. Por outro lado tinham os tais "povos da floresta", que nada tinham de vítimas. O contato com a civilização já havia eliminado quase todos os traços dos costumes originais desses povos, que só permaneciam nas suas terras de origem por dois motivos: o primeiro era pouca chance que tinham de se adaptar ao mercado de trabalho na civilização, outro, mais importante, era que muitos deles perceberam que lutando pelos "direitos de seus ancestrais" de posse dessas terras podiam enriquecer com facilidade. Na realidade eles também foram enganados (é obvio que nenhuma corporação tinha interese no bem estar deles).
A Amazônia se tornou o Vietnã do Brasil, com o exército brasileiro enfrentando a guerrilha dos "povos da floresta" que recebem armamentos dos países vizinhos, controlados pelas Corporações, e através de contrabando de dentro do Brasil.
O exército vem mantendo uma campanha de
vários anos, com altos e baixos, apesar da imprensa
internacional apoiar claramente a "causa" dos
"povos da floresta" denunciando as atrocidades (que
realmente acontecem) contra aquelas inocentes pessoas (carregando
inocentes rifles de assalto).
A República do Pampas
O final do século XX presenciou o aumento dos conflitos étnicos e separatistas pelo mundo afora, muitos países se fragmentaram e mergulharam em sangrentas guerras civis. E o Brasil não ficou de fora.
Movimentos separatistas no sul do país datam desde o Brasil-colônia, mas haviam perdido a força no século XX, pelo menos até o ressurgimento de movimentos racistas e fascistas na Europa que foram bem recebidos por muitos descendentes de europeus no Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina que culpavam os imigrantes negros, nordestinos e orientais (ou qualquer um sem sobrenome europeu) pela estagnação econômica da região.
O ponto alto desses movimentos foi em 2012, quando o governador Epitácio dos Santos declarou a criação da chamada "República dos Pampas" no Estado do Rio Grande do Sul, com significativo apoio popular. O movimento foi, entretanto, debelado em poucos dias pelas Forças Armadas que prenderam o governador golpista e vários colaboradores.
Estes movimentos em 2028 já não são mais fortes o suficiente para iniciar uma guerra civil, mas se especializaram em atividades terroristas com o objetivo de desestabilizar o governo brasileiro. Tornaram-se comuns linxamentos, carros-bombas e seqüestros.
O envolvimento destes grupos com Corporações é incerto.
Sampa
A antiga cidade de São Paulo faz parte em 2028 do maior
conglomerado metropolitano do planeta com 40 milhões de
habitantes, indo desde o litoral até o interior do Estado. A
Nova Grande São Paulo na realidade foi criada da união de
quatro metrópoles: a Litoranea ( ao redor de Santos e Cubatão
), a do Vale do Paraíba ( cujo centro é São José dos Campos
), a Interiorana ( em volta de Campinas ) e a maior de todas, a
antiga Grande São Paulo, conhecida simplesmente como Sampa pelos
seus habitantes.
Sampa, com 25 milhões de habitantes, se tornou no século XXI um dos principais centros industriais e financeiros do planeta. Isso porém não a tornou um paraíso na Terra, muito pelo contrário, só aumentou os problemas de violência, poluição e tráfego que já existiam, numa mistura de áreas corporativas, com centros comerciais, financeiros ou industriais, servidos com moderna infraestrutura e protegidos por polícias particulares, e regiões mais pobres com fábricas abandonadas ou ainda bairros superpovoados, onde a maior parte da população de Sampa tenta sobreviver e a polícia pública é incapaz de conter a violência.
CONCLUSÃO
Bem, esse é o mundo de 2028. Basicamente existem quatro
cenários. Rio de Janeiro, onde o centro da trama geralmente
envolve as Corporações e principalmente o crime organizado. O
sul do país com os movimentos neo-nazistas, adequado para
aventuras com muita investigação e tiroteios. A Amazônia com
aventuras de combate. São Paulo, por outro lado, é o cenário
cyberpunk mais tradicional e variado.
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