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Submarinos convencionais de baixo custo

 

Apesar de toda a evolução tecnológica, a capacidade de submersão ainda é a maior arma do submarino.

 

 

A evolução dos processos de fabricação e conjunto com a crescente sofisticação das armas e sensores dos navios militares modernos faz com que estes representem uma parcela cada vez maior dos seus custos de aquisição.

No caso de submarinos convencionais, isso também é válido, mas devendo se incluir o uso de materiais de alta resistência para permitir a operação em águas mais profundas (+300m abaixo da superfície) e sofisticadas baterias e outros sistemas para garantir um tempo de submersão maior.

Mais do que qualquer outra arma naval, o submarino tem um grande poder dissuasivo pois enquanto submerso é de difícil detecção, exigindo armas e sensores especializados para ser combatido. O impacto do uso de submarinos na Primeira e principalmente na Segunda Guerra Mundial, ameaçando rotas de comércio e exigindo um grande número de navios de guerra inimigos para caçá-los, ainda permanece válido nos dias de hoje.

Mesmo um submarino convencional menos sofisticado em termos de sensores e armamento, com menor autonomia submerso e limitado a profundidades menores, mantém um poder significativo de dissuasão podendo atuar autonomamente em águas rasas ou se apoiado por outros meios de detecção (aviões de patrulha, especialmente) também pode atuar em águas profundas no controle de áreas limitadas.

 

Deslocando 855t, com 19 tripulantes e armado com 6 tubos de torpedo sem recarga (para torpedo, minas, misseis e veiculos especiais), o SMX-23 pode permanecer até 60 horas submerso a uma velocidade de 4 nós. Projetado para guerra costeira, seu fabricante informa que seu custo será de cerca de metade de um submarino convencional de 1400 – 1800t. Uma versão simplificada e com maior autonomia daria origem a uma versão ainda mais econômica e que poderia ser usada em missões de alto-mar.

   

Pensando na necessidade brasileira de um submarino de baixo custo para operações em alto-mar, poderíamos listar algumas características principais:

 

-         Deslocamento em torno de 800ton.

-         Profundidade de submersão limitada (utilização de materiais menos resistentes e mais econômicos).

-         6 a 8 tubos de torpedo sem recarga.

-         Sensores simples, com ênfase em meios passivos de detecção.

-         Tripulação inferior a 16 pessoas, graças aos sensores simples e automatização.

-         Pequena autonomia em submersão (menos baterias) e grande autonomia com motores diesel.

-         Adoção de características furtivas visando principalmente reduzir a assinatura de radar quando operando com snorkel.

 

 

Para o Brasil, que desenvolveu uma capacidade na construção de submarinos convencionais, a produção de uma classe desses submarinos de baixo custo garantiria a manutenção desta capacidade instalada (física e de pessoal) em paralelo à produção de unidades mais sofisticadas (produzidas em menor quantidade). Tal modelo econômico de submarino certamente teria um interessante mercado exportador ao se tornar uma opção alternativa às pequenas lanchas de ataque armadas com mísseis antinavio em dezenas de pequenas marinhas de guerra pelo mundo.

 

fev/09

Update Jan-2017

Estima-se que o custo atualizado para os dias de hoje de um submarino da Segunda Guerra alemão Type VII é de aproximadamente USD 30 milhões, enquanto um Type 209/1400 atual custa cerca de USD550milhões. Seria razoável supor que um submarino "de baixa performance" poderia ser construído a um custo de menos de USD50milhões, tornando-o acessível à pequenas forças navais hoje limitadas ao uso de barcos de ataque ou navios de patrulha. 

Um navio de escolta necessita de canhões e misseis diversos para combater ameaças aéreas e de superfície, além de sensores e armas anti-submarinas (incluso aeronaves VTOL de custo elevado), além de variados sensores e contramedidas para operar tudo isso (radares, sonares, sistemas ECM, etc). Por outro lado, um submarino ainda depende de uma baixa assinatura acústica, garantida pela forma hidrodinâmica do casco e a operação silenciosa dos motores elétricos, para garantir sua proteção. Enquanto submerso, torna-se muito difícil de ser detectado por satélites e aviões de patrulha marítima e mesmo navegando com snorkel tem baixas emissões e assinatura de radar.

Quanto aos sensores, a ênfase nesse modelo de submarino seria para meios passivos de detecção combinados com um sonar ativo de menor alcance, permtindo o engajamento à curta distância de navios sem sensores e armamento anti-submarino (navios auxiliares, mercantes, de desembarque anfíbio, navios patrulha e barcos de ataque). O uso de torpedos leves para auto-defesa e torpedos pesados antinavio, garante uma combinação mais econômica e compatível tanto com as missões como com os sensores de alcance limitado desse tipo de submarino, que normalmente terá seus alvos confirmados ao alcance visual do periscópio. Outro uso é o lançamento de minas, compometendo o acesso a portos e áreas costeiras. Os tubos de lançamento podem ser em menor número (2-4) mas recarregáveis ou então um maior número (6-8) de tubos não-recarregáveis, sendo os custos e o tipo de missão esperada determinantes na escolha.

É importante lembrar as repetidas vezes que submarinos convencionais se mostraram indetectáveis em exercícios navais, podendo inclusive tirar fotos extremamente próximas de navios capitais com seus periscópios. Mesmo um submarino mais "primitivo" é capaz de se evadir de uma fragata em patrulha ou mesmo de se aproximar sem ser detectado para um ataque de curta-distância em um conflito de menor intensidade.