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PROJETO FX
2002

NOVAS IDÉIAS PARA VELHOS PROBLEMAS NO INÍCIO DO SÉCULO XXI

 

Iniciamos o ano de 2002 no Brasil com o programa de substituição da frota de caças da FAB (conhecido como programa FX) oficialmente aprovado, mas com uma série de indefinições: qual aeronave será comprada ou quando ou em que quantidade.
O programa de modernização dos 48 F-5E, da mesma maneira, ainda não se iniciou, mas já se escolheu o vencedor (Elbit, com a participação da Embraer) e a definição do radar Grifo-X como principal componente desse pacote de modernização que gira em torno de US$ 285 milhões.
Também é digno de nota o inicio da fabricação das 76 aeronaves ALX encomendadas pela FAB (monoplaces e biplaces).
Além disso, cresce a discussão sobre a necessidade de modernização nas aeronaves AMX e  sobre a aquisição de novos jatos de treinamento avançados.

Voltando ao assunto FX, podemos dizer que o mais forte candidato é, sem dúvida, o Mirage 2000-5/BR, uma possível versão parcialmente nacionalizada pela Embraer (a qual tem hoje 20% do seu capital acionário controlado pelo conglomerado europeu que também é controlador da Dassault). Por outro lado, e de maneira surpreendente, a Avibrás (que nunca fabricou uma aeronave em larga escala) se associou à Sukhoi a fim de oferecer o supercaça Su-27M (ou Su-35). O Gripen, por sua vez, conquista muitos militares brasileiros pela sua sofisticação combinada a baixos custos de manutenção e operação ( sendo bem sucedido em vendas para a África do Sul e Republica Tcheca, recentemente). O F-16 conta "apenas" com o lobby econômico do governo americano, sendo a escolha do Chile, que adquiriu meros 10 exemplares, por US$ 660 milhões e com entrega prevista para 2006 ( e já se lamenta por lhes ter sido vetada a compra de mísseis ar-ar de longo alcance).

 



Projeto FX: além de aspectos puramente técnicos, um negociação dessa envergadura deve levar em consideração a estratégia geopolítica do país ( acima os candidatos favoritos, nessa ordem: Mirage 2000, Su-35, Gripen e F-16)

 

Aspectos técnicos e comparações podem facilmente ser encontrados pelo leitor, inclusive nos artigos anteriores de GUERRA MODERNA sobre o assunto. Porém, o momento político e econômico é sempre relevante (às vezes, preponderante) na decisão que a FAB tem a tomar.

Vivemos hoje um momento crucial, em que o Brasil busca aumentar sua presença no cenário internacional, especialmente no comércio internacional, e uma negociação do porte do Projeto FX pode sim se tornar um forte instrumento facilitador da conquista de novos mercados. O caso da compra de caças Gripen pela República Tcheca, apenas como exemplo, envolveu a negociação de cláusulas de "off-set" com a Suécia, ou seja, o condicionamento da compra dos aviões a um volume de importações por parte da Suécia de produtos tchecos, principalmente aeronáuticos (inclusive para os próprios Gripen a serem comprados).

Dentro desse pensamento, devemos ter claramente que negociações desse tipo com países claramente protecionistas como EUA e França seriam impossíveis ou muito limitados. Mesmo com a Suécia esse acordos não seriam tão atrativos (os tchecos tinham uma necessidade muito particular de dar sobrevida a sua industria aeronáutica, que vive dificuldades ao contrário da nossa). Para o Brasil, a prioridade é abrir novos mercados e laços comerciais com países que partilhem do mesmo objetivo. Partindo desse ponto, sem dúvida, os russos se colocam como parceiros interessantes, havendo um interesse mútuo de atingir os enormes mercados um do outro.

Um  acordo possível, envolveria o arrendamento de aeronaves Su-27 de segunda mão (12 aeronaves) e compra de aeronaves Su-35 novas (30 a 40 aeronaves). Esse fornecimento se estenderia por vários anos, e os pagamentos seriam condicionados a exportações brasileiras para a Rússia. Assim teríamos um aliado local ( a Sukhoi ) contra o lobby protecionista dos fabricantes nacionais russos (uma barreira, de outra maneira, intransponível).

A aquisição do Su-27/35, voltando ao ponto de vista militar, tem vários pontos favoráveis e desfavoráveis, mas é inegável que um caça de longo alcance e grande poder de fogo, seria um complemento perfeito para os F-5E modernizados e mesmo para o AMX, pois poderiam atuar também em ataques terrestres e navais de longo alcance.

Logicamente, uma negociação dessa natureza levaria a retaliações por parte de outros países, porém, o Brasil vem fazendo valer seu papel no cenário mundial, visto que somos o segundo maior país em desenvolvimento em volume de investimentos externos (depois da China, apenas).