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Controle de área marítima:

Porta-helicópteros

 

 
Helicopteros de maior porte como o Sea King podem executar missões antinavio e antisubmarino (abaixo armado com um Exocet antinavio) com grande eficiência e bom raio de ação, tornando-se um bom meio de exercer o controle de área marítima quando não houver a ameaça da aviação de interceptação inimiga.
 

 

O uso de helicopteros se tornou indispensável na guerra naval moderna, especialmente na guerra antisubmarino. Seja em grupos-tarefa com porta-aviões ou em navios de escolta de medio porte (fragatas e corvetas), os helicopteros permitem a detecção de submarinos através de sonares e sonobóias ativos e passivos. Mais que isso, permitem que estes submarinos sejam atacados à distância.

E quando da ausência de aeronaves de asa fixa de patrulha se tornam o principal meio de vigilância de superfície.

Helicópteros são muito mais fáceis e econômicos de operar em navios do que aviões, podendo utilizar plataformas menores e dispensando mecanismos especiais de auxílio a decolagem e pouso. E podem operar em condições metereológicas muito piores.

Um desenvolvimento desse conceito foi feito pela Marinha dos EUA nos anos 70 (o Sea Control Ship), e apesar de não ter sido levado à diante por este país, foi adotado por uma série de outros (como a classe Invincible inglesa e o Principe das Asturias espanhol).Estes pequenos "porta-avioes ASW" operam uma combinação flexível de versões do caça STOL/VTOL Harrier e helicopteros antisubmarino.

Todavia, o uso de navios desse tipo em funções de projeção de força na Guerra das Malvinas em 1982, mostrou as limitações de raio de ação e carga útil do Harrier. Mesmo dispondo de um número razoavelmente grande de aeronaves, a Royal Navy teve dificuldades tanto em garantir a superioridade aérea sobre as ilhas como para prover apoio aéreo aproximado às tropas em terra. Do mesmo modo, os Harriers nao conseguiram impedir que aviões de patrulha argentinos (obsoletos Neptune) detectassem e acompanhassem a força tarefa britânica.

 
O Sea Control Ship (SCS) previa originalmente uma dotação de 14 Sea Kings, 4 LAMPS (Seasprites) e apenas 3 AV-8A Harriers. O objetivo era manter ininterruptamente duas linhas permanentes de sonoboias (para detecção de submarinos) e patrulha marítima ao redor do SCS, alem de ser capaz de atacar e destruir as ameaças detectadas. Os Harriers simplesmente atuariam como interceptadores de aviões de patrulha inimigos. O SCS tinha, portanto, uma capacidade simbólica de projeção de força sendo especializando na guerra antisubmarina.

 


Mesmo dispondo de um número razoavelmente grande de aeronaves Harrier e Sea Harrier, a Royal Navy teve dificuldades tanto em garantir a superioridade aérea sobre as ilhas como para prover apoio aéreo aproximado às tropas em terra. 

 

Agora trazendo esses dados para um conflito de média intensidade, em que a ameaça submarina diminui e fica num mesmo nível da ameaça de superfície, podemos ter o helicoptero como o único vetor de controle de área marítima, capaz de detectar e atacar ameaças navais de superfície e submarinas.

Um pequeno porta-helicoptero na faixa 7000ton e capaz de operar ao menos 8 helicopteros de grande porte (como o Sea King) atenderiam esta necessidade, apoiados pelos helicopteros médios de suas escoltas (3 a 6 navios com número igual ou maior de helicopteros do porte do Sea Lynx). 

 
Um helicoptero moderno de grande porte, como o Merlin, é capaz de executar patrulhas de mais de 3 horas a cerca de 200km do seu navio base. Considerando o alcance de detecção de seus sensores, navios inimigos podem ser detectados antes que possam atacar e rapidamente atacados com misseis antinavio (Exocet, por exemplo).

 

 
A versão naval do Super Puma é menor que o Sea King e o Merlin, mas é capaz de transportar 2 misseis Exocet num raio de ação de 370km. Na função antisubmarino é capaz de executar patrulhas de 3,5hrs à 20km do navio-base sendo que metade do tempo em vôo pairado.

 

 
O navio de desembarque da classe San Giorgio, com 7.665ton, seriam uma boa base o desenvolvimento de um porta-helicopteros de controle de área marítima. Eliminando-se a doca de popa teríamos um hangar ampliado para operar helicopteros de grande porte. O convés de vôo poderia ser ampliando na proa e a meia-nau permitindo a operação simultânea de ao menos 3 aeronaves. Numa opção mais econômica, o unico armamento poderia ser um sistema singelo antimissel na ilha de comando.Uma opção intermediária traria, alem do canhão antimissel, um sistema de misseis anti-aéreos (Aspide-Albatros, por exemplo) e sistemas de despistamento de
torpedos e mísseis. 

  

Um navio destas características, equipado com sensores simples e um ou dois canhões antimissel (como o Phalanx), teria um custo de aquisição e operação inferior ao de uma fragata. Versões mais bem equipadas com radares, sonares e armamento mais completo teriam um custo mais elevado mas dependeriam muito menos de escoltas para sua autodefesa. Uma opção intermediária traria, alem do canhão antimissel, um sistema de misseis anti-aéreos (Aspide-Albatros, por exemplo) e sistemas de despistamento de torpedos e mísseis.

 

    
Misseis Aspide/Sea Sparrow (à esquerda) garantem além de uma capacidade antimissel, uma capacidade de defesa de área limitada. Canhões de pequeno calibre e alta cadência de tiro como o Phalanx (no centro) são leves e operam de maneira autônoma. O padrão adotado pela Marinha do Brasil é o de 40mm usando munição com espoleta de proximidade (à direita, a torre Trinity usada nas fragatas Niteroi).


Um exemplo da combinação de escoltas para proteção de um navio capital é o esquema abaixo, mostrando uma Força-Tarefa (FT) típica da MB, nucleada no NAe São Paulo (A12), com uma cobertura composta por duas corvetas "Inhaúma" (V30), duas fragatas "Niterói" (F40) e duas "Greenhalgh" (T22). Os arcos coloridos, fora de escala, demostram a sobreposição do armamento antiaéreo dos navios: laranja, última defesa - canhões de 40mm; amarelo, defesa de ponto - mísseis Seawolf; azul - mísseis Aspide, defesa de área curta. (fonte: Poder Naval Online - www.naval.com.br)

No caso de um porta-helicopteros melhor armado (ao menos a opção intermediária sugerida), haveria a necessidade de um número menor de escoltas e elas poderiam ser dispersas garantindo melhor cobertura antiaérea. Raciocínio semelhante se aplica aos sensores e armas antisubmarinos.

 



Projeção de força


Mesmo não sendo vocação principal, é possível utilizar um porta-helicopteros com o descrito para missões de projeção de força e desembarques anfíbios. Isso se faria simplesmente passando a operar helicopteros de transporte e ataque ao invés de helicopteros ASW/ASuW. 


Os Mi-35 que estão sendo adquiridos pela FAB são um exemplo do potencial de porta-helicopteros em missões de projeção de força. Pesadamente armados e protegidos, e capazes de transportar pequenos grupos de soldados, o Hind é capaz de atuar em missões de ataque e apoio aproximado fazendo uso de armas convencionais e guiadas.

 

O caso brasileiro


Tendo em vista a baixa disponibilidade do NAe Sao Paulo se faria muito conveniente a construção de um porta-helicopteros conforme descrito anteriormente. Este poderia ser o núcleo da força-tarefa quando o Sao Paulo nao estiver operando. Isso garantiria uma unidade de controle de área marítima permanentemente em operação, e com custo bem menores do que um segundo NAe das características do Sao Paulo.

Sendo assim, os helicopteros poderiam ser compartilhados reduzindo ainda mais os custos de aquisição deste porta-helicopteros.

Eventualmente, ambos poderíam ir ao mar permitindo que que o Sao Paulo recebesse uma dotação maior de
aviões enquanto o porta-helicopteros operava todas as aeronaves de asas rotativas. Esse modelo já foi adotado pela França, quando operava tanto o Foch (agora Sao Paulo) juntamento com o seu irmão-gêmeo Clemenceau.

 

 

Abril/09

 

Atualização fev/17

Uma outra alternativa é utilizar como base um projeto de navio anfibio como base para um porta-helicópteros de baixíssimo custo.

Por exemplo, a classe Makassar, de projeto sul-coreano, é oferecida na versão navio-doca anfíbio por menos de USD 40milhões (menos de 10% de uma fragata moderna). Desprovida de sensores sofisticados e armada apenas de um canhão médio, necessita da escolta de outros navios contra todas as ameaças, mas poderia transportar facilmente 8 helicópteros médios/grandes com pequenas alterações.

Além de já possuir um hangar para 3-4 helicópteros, um hangar adicional pode ser conseguido usando o convés utilizado para doca
e outras cargas (acessível por elevador ou por meio de dois pontos de pouso em níveis diferentes como na ilustração abaixo). A eliminação dos equipamentos para operações anfíbias (lanchas de desembarque, guindastes, etc) baratearia ainda mais o custo do navio. Uma única alteração seria uma motorização mais potente para elevar a baixa velocidade máxima de 16 nós para ao menos 22 nós.


 

Makassar original: navios anfíbios também ser usados na função de controle de área marítima, em que pese sua baixa velocidade e pequena capacidade de transporte de aeronaves (4 nesse caso).

 

No caso de um navio dedicado, duas unidades já permitiriam o uso de todos os SH-16 (anti-submarinos) e AH-15 (anti-superfície com misseis Exocet e de uso geral em apoio à operações anfíbias), que na falta do NAe São-Paulo, não tem uma plataforma para serem usados. 


 

Makassar modificada (rascunho): um convés rebaixado na proa permitiria o acesso a um amplo hangar abaixo do convés mais elevado, dispensando o uso de elevadores e permitindo um acesso totalmente independente de cada grupo de aeronaves (ao menos dois helicopteros poderiam ser operados simultâneamente).
Ainda seria possível eliminar as lanchas de desembarque, guindastes, portas laterais e frontais, reduzindo custo e ganhando espaço para um navio especializado na operação de helicópteros. O canhão de proa, poderia ser substituído por um de 114mm, a ser retirado de fragatas Niterói e Inhaúma na medida de sua desincorporação. Assim, manteria-se uma capacidade de
apoio de fogo que seria perdida com a adoção de peças de 76mm na futuras corvetas/fragatas leves CV-03 Tamandaré.









Outra possibilidade seria a adoção de um navio menor (5,000t - 6,000t) com um deck amplo para operação de um helicoptero de grande porte em quaisquer condições atmosféricas e hangar para quatro unidades. Também poderiam ser aproveitados canhões de 114mm e 40mm de outras escoltas desativadas, assim como mísseis antinavio. Caso hajam recursos adicionais, sensores mais avançados poderiam ser instalados permitindo o uso misseis antiaéreos e armas antisubmarino.

O uso de motores diesel, velocidade máxima acima de 30 nós e grande autonomia seriam desejáveis.

Mesmo uma versão mais simples, além de operar os helicopteros, poderia transportar um pequeno grupo de fuzileiros (+60) e
ter uma pequena doca traseira para operar botes rápidos - além de transportar um pequeno número de veículos anfíbios. Com grande autonomia, esse navio se prestaria bem a missões no exterior (patrulhamento, antipirataria) ou ações humanitárias, onde a falta de sensores antisubmarinos ou de busca aérea avançada não se fariam sentir.

Também poderia seria utlizado como navio-escola, fazendo uso das acomodações adicionais de fuzileiros. Outra possibilidade é o lançamento de minas.

Como referencia de porte e desenho, temos os destroyers japoneses da classe Haruna, na faixa de 6,000t.